Perfil Empresa

Essa é uma realidade incontestável e que veio para ficar. A virada é radical e ninguém escapa. Para os cargos mais qualificados, já não basta os quinze anos de estudo que dão acesso ao título de bacharel, nem as horas noturnas gastam em aulas de inglês. Esses conhecimentos transformaram-se em requisitos triviais para cargos bem menos qualificados, na verdade, as companhias querem gente bem informadas, com pós-graduações à nível de mestrado, doutorado, que tenham flexibilidade para trabalhar em áreas diferentes e saiba resolver problemas antes mesmo que ele despertem a atenção do chefe. O perfil é do sujeito crítico, criativo que faz com que todos se mexam à sua volta. Para os cargos bem remunerados, as empresas estão buscando pessoas que estejam em constante evolução.

O velho hábito de procurar a empresa munido de currículo para os cargos mais bem remunerados estão acabando. Além do currículo, há novos rituais de contrato na praça. Uma das novas modas é reunir os candidatos numa sala e promover uma sessão de debates entre eles. Quando ela termina, é escolhido aquele que foi mais claro na discussão, com respostas mais estruturadas e mais rápidas. Outra forma estratégia de escolha no novo empregado é em apresentar desafios e os mais criativos ganham pontos na prancheta do examinador. Na reta final da seleção, os examinadores querem saber quem dentre os candidatos tem a mente mais aberta a soluções originais.

As escolas mais antenadas a essas mudanças estão colocando em suas grades curriculares atividades que trabalham com essa perspectivas de soluções de problemas, desde tenra idade, precisamos exercitar as crianças a essa nova dinâmica do mercado de trabalho, desde muito cedo, essa é uma tendência que parece irreversível. Os caminhos tradicionais dos empregos cada vez mais se afunilam.

A questão de qualificação de mão de obra e nível de emprego não se restringe ao Brasil, inclusive em países desenvolvidos. A revolução tecnológica, especialmente, a partir da década de 1990, transformou a economia mundial e criou um problema para os trabalhos, ou seja, um novo perfil de trabalho, consequentemente, um novo perfil de trabalhador.

A empresa de telecomunicação de Nova York submeteu 23.000 jovens a um exame simples para trabalho de nível inicial. Foram reprovados 84% dos candidatos. De acordo com dados do Ministério da Educação americano, mais de dois terços dos alunos do Ensino Fundamental não são leitores hábeis e apenas 9% dos estudantes do último ano do Ensino Médio conseguem resolver problemas de matemática mais complicados. Ressalte-se que não é um problema apenas brasileiro.

Diante dos novos tempos no mundo do trabalho e da economia cada vez mais globalizada, só terá mais possibilidade de acesso ao mercado de trabalho e à Empregabilidade o candidato que for mais criativo e estiver academicamente mais preparado. É a sociedade do conhecimento e do credencialismo.

Por Nilton Cunha
professor e escritor

 

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