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Por Paulo Sales
advogado e escritor

Nasce um José, Simplesmente um zé, Pobre de toda sorte. Num cenário de tantas lutas libertárias. Sem direito a quase nada, Discriminado por quase toda a nata. A margem do social. Numa ânsia incontida de ser tratado por igual.

O recém-chegado, José. Que por graça divina, Tem um peito como alimento, A saciar sua fome. Firmando a sua sina. Terá como morada uma favela qualquer, Onde quase ninguém sabe onde fica, Onde o amanhã é uma chave, De lugar algum, Fugindo dos embustes e da falsidade.

Na estatística existe José, A fomentar projetos governamentais, Exibidos, carregados de flores e solenidades. Enquanto não chegar as trevas dissipando os sonhos, Já que ‘tênue, muito tênue, é o liminar entre a vida e a morte’ Se é que foi lembrado, O José, mais uma vez será contabilizado, Se morto pelo tráfico ou violência policial.

Se movido pelos vales das sombras e mistérios, Onde brotam rosas de esperança, Conquiste José um melhor nível cultural, Marco da hipócrita da humanidade. Será abraçado pelas altas cortes, Símbolo de mais um tema eleitoral, Com o sobrenome, Da distraída e paradoxal, Quotidiana, mesquinha luta entre povo e o poder.

Que se faça canção, Para acordar os homens de bem, E hino para afugentar os maus.

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